Bandido que matou motorista do Transcol é primo do cobrador

Bandido que matou motorista do Transcol é primo do cobrador

Uma Cerca de 17 horas após a morte do motorista do Sistema Transcol José Francisco Xavier Alves, de 48 anos, no último sábado, em Aribiri, Vila Velha, Adson Sena Purcino, de 18 anos, foi preso pelo assassinato. Segundo a polícia, as investigações iniciais apontam que o tiro foi acidental. Outra informação que surpreendeu a polícia é que o jovem preso é primo do cobrador que estava no ônibus na hora do crime.

De acordo com o delegado Eduardo Costa, plantonista da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), como as câmeras de segurança do ônibus estavam desligadas no momento da ação, a polícia contou com o videomonitoramento de comércios da região, além de informações de testemunhas.

“Identificamos Adson Sena Purcino, de 18 anos, e durante a noite fomos à casa dele. Ele estava com os pais, não reagiu a prisão e assumiu o crime”, contou o delegado.

Ainda segundo o delegado, Adson não tem antecedentes criminais e afirma ser estudante. Ele contou que não faz parte do tráfico de drogas, mas que é usuário e amigo dos traficantes de Aribiri. O jovem contou à polícia que, por causa das amizades, passou a ter inimigos em facções rivais.
“Ele disse que, na noite da última sexta-feira, foi com alguns colegas em um baile funk clandestino em Vila Velha, conhecido como Mandela. Como imaginou que encontraria inimigos do bairro 1º de Maio, pediu uma arma emprestada a um traficante. Ele contou que não encontrou nenhum desafeto na festa e, pela manhã, pegou um Transcol em Aribiri”, disse.

O delegado não soube informar para onde o acusado estava indo no momento da ação, já que ele é morador de Aribiri, onde pegou o ônibus. Ele estava com quatro colegas, que entraram no Transcol dirigido por José Francisco e pularam a roleta. Adson foi o último a pular. Ele contou que colocou a mão na arma, que estava na cintura, para evitar que ela caísse.

“A arma caiu e disparou. Embora seja um revólver calibre 38, que precisa ser engatilhada para atirar, o disparo acidental não é uma hipótese impossível. Pois esses jovens não possuem treinamento de manuseio, as armas não passam por manutenção e costumam ser velhas. Mas iremos continuar apurando se ela disparou ao ser tocada, ao cair ou de propósito.”

Valão

Após o disparo, o acusado pegou a arma do chão, exigiu que o motorista abrisse a porta e fugiu com os colegas. José ainda dirigiu por alguns metros. A bala ficou alojada no pescoço e a vítima morreu ainda dentro do ônibus. Adson conta que jogou a arma em um valão. Ela não foi encontrada.

O acusado foi autuado por homicídio doloso, quando há intenção de matar, pois assumiu o risco de atirar em alguém ao sair armado sem ser preparado para isso. A autuação ainda recebeu um qualificador por impossibilidade de defesa da vítima. Ele foi levado ao presídio.

Após a prisão de Adson Sena Purcino, de 18 anos, responsável pela morte do motorista José Francisco Xavier Alves, 48, a polícia descobriu que o cobrador que trabalha no Transcol onde o crime aconteceu era primo do jovem que estava armado. Vítima, acusado e trocador moravam no mesmo bairro onde ocorreu o assassinato, em Aribiri, Vila Velha.

De acordo com o delegado Eduardo Costa, durante a manhã e a tarde do crime, o cobrador só foi ouvido informalmente.

“Ele colaborou com a investigação, passando as características corretas do Adson, como a polícia pediu. Também contou a dinâmica do crime, que bate com a versão da testemunha. Mas, por medo de ser morto, omitiu que era primo do criminoso e que sabia onde ele morava. Só após a prisão, quando chamamos o trocador para depor oficialmente, ele se sentiu seguro para contar que Adson era seu primo”.

O delegado explicou que o cobrador não será responsabilizado por omitir a informação porque entendeu que ele só fez isso por medo de morrer, mas que falou toda a verdade quando chamado para prestar o depoimento oficial.

“A família do acusado é formada por trabalhadores e pessoas de bem. Eles ficaram muito chocados quando souberam do crime. O Adson não contou para ninguém o que aconteceu no ônibus. Ele se mostrou muito frio.”

Perguntado sobre os colegas de Adson, que pularam a roleta antes do acusado, o delegado informou que, inicialmente, eles não serão procurados, pois as investigações apontam que eles não tiveram participação no disparo.

 

Fonte: A Gazeta Online