Criança de 8 anos assassinada em Cachoeiro foi vítima da ‘guerra’ do tráfico

Criança de 8 anos assassinada em Cachoeiro foi vítima da ‘guerra’ do tráfico

A morte do menino João Pedro Silvério Bernardo França, de oito anos, ocorrida na última terça-feira (13), no bairro Coramara, em Cachoeiro, foi motivada pelo conflito do tráfico de drogas na região. A polícia acredita que ele não era o alvo do tiros e que também não foi vítima de bala perdida. O tio da criança, de 18 anos, atingido com tiros, continua internado na Santa Casa de Cachoeiro.

De acordo com o titular da Delegacia de Crimes Contra a Vida (DCCV), Guilherme Eugênio, a morte da criança foi causada por um ataque generalizado. “Esse grupo rival passa pela rua atirando em quem está pela frente. A criança estava com o tio e outras pessoas, quando foram baleadas. Não acredito que tenha sido bala perdida, mas a criança também não era o alvo. Eles queriam acertar quem estava no local. Vou indiciar os envolvidos pela morte da criança e pelo atentado”, explica.

No mesmo dia do crime, um adolescente de 17 anos foi apreendido e apontado por uma testemunha como o condutor da moto. Ele foi apresentado ao Ministério Público, que representou pela internação do envolvido. “Essa mesma testemunha se apresentou no dia seguinte no plantão regional e se retratou. Disse que tinha certeza da autoria dos tiros, mas não estava certa da participação do adolescente. Na última segunda (19), representei pela internação na Vara da Infância e da Juventude, com uma justificativa, pois ele está envolvido em outros crimes no bairro”, continua Eugênio.

Dois dias após o crime, Ítalo Pires, de 20 anos, compareceu à DCCV, acompanhado de um advogado, para prestar esclarecimentos. Ele negou ser o autor dos disparos que matou João Pedro. No entanto, ele tinha um mandado de prisão em aberto por uma tentativa de homicídio, e foi preso. Ítalo foi levado ao Centro de Detenção Provisória (CDP) de Cachoeiro.

“Ítalo faz parte de uma quadrilha rival ao da família da vítima, e eles estão em conflitos há anos. Os grupos são responsáveis por homicídios e tentativas de ambos os lados. Estamos ouvindo ainda as testemunhas, mas já ouvimos a família da vítima, que nos relatou esses conflitos. Eles contaram que essa é a terceira morte na família por causa desses conflitos. O inquérito deve ser concluído até o dia 9 de janeiro”, completa o delegado.

Fonte: Folha Vitória