Conversa de Alckmin com cúpula do PSB pode ter desdobramentos no Estado

Foto Casagrande
O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), depois de falhar em uma tentativa de composição com o DEM, se reuniu na noite dessa quarta-feira (26) com a cúpula do PSB nacional. Entre as lideranças socialistas que participariam do encontro, segundo o jornal O Globo, estaria o ex-governador Renato Casagrande. Para os meios políticos, o encontro pode ter reflexos no processo eleitoral do Espírito Santo.
Alckmin trabalha para construir uma base de apoio para consolidar sua candidatura à Presidência da República, mas enfrenta resistências internas para formatar seu projeto. Parte do ninho tucano quer surfar na onda que defende a aversão aos políticos tradicionais e apostar nos chamados outsiders. O nome que vem a cabeça dessa ala do partido é automaticamente o do prefeito de São Paulo João Doria Júnior — ameaça real aos planos de Alckmin.
Nesse contexto, a conversa pode até dar jogo com o PSB. Sem uma liderança nacional que possa encabeçar um projeto presidencial, desde a morte do então presidenciável Eduardo Campos, em 2014, o partido desperta o interesse dos candidatos em potencial, já que a legenda oferece uma boa base para um palanque nacional. Em contrapartida, o PSB pode repetir a movimentação de 2010, negociando apoio às suas principais lideranças estaduais.
É aí que entra Casagrande na conversa. O ex-governador tenta aglutinar um grupo de enfrentamento ao palanque palaciano para o processo do próximo ano e enfrenta um contra-ataque do governador Paulo Hartung (PMDB) no sentido de enfraquecer os partidos que se aglomeram em torno do socialista, com quem disputou o governo em 2014.
A dificuldade de acordo entre o PSDB e o DEM também podem ajudar o projeto de Casagrande. Isso porque o governador Paulo Hartung tem dado sinais de migração do PMDB para o DEM, depois de encontrar muitas dificuldades em suas tentativas de retorno ao ninho tucano. Parte da executiva do partido não quer mais fazer parte do projeto de Hartung e a aproximação nacional com o PSB pode facilitar esse afastamento total da base do governador.
Em 2010, o PSB fez um acordo com PT e PMDB. O partido abriu mão da candidatura à presidência do então socialista Ciro Gomes, em apoio à candidatura de Dilma Rousseff (PT), com a vice para o peemedebista Michel Temer. Em troca, o PSB recebeu apoio nas disputas em seis Estados, incluindo o Espírito Santo, com Renato Casagrande. O acordo retirou de última hora a candidatura já certa de Ricardo Ferraço ao governo, na sucessão de Hartung, elevando Casagrande à condição de candidato palaciano.
Nos meios políticos há alguma resistência em acreditar em uma reedição do confronto de Paulo Hartung e Renato Casagrande ao governo do Estado. Isso porque o primeiro está com imagem muito desgastada e o segundo tem dificuldade para conseguir apoios substanciosos ao governo, além de estar na planície desde que desceu as escadarias do Palácio Anchieta.
Mesmo assim, os dois têm disputado território, sobretudo no interior do Estado. Ambos têm se movimentado intensamente seja para aumentar suas capilaridades com o eleitorado do interior, seja no cabo de guerra para atrair lideranças para seus grupos. As forças políticas observam os movimentos dos dois para buscar acomodações futuras no palanque que tiver melhor posicionado.
Casagrande forma um grupo que conta com o prefeito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), e tenta atrair outros partidos como PV, Rede e PP, mas Hartung estaria assediando as lideranças desses partidos para tentar esvaziar o grupo. Mas nem tudo são perdas. O deputado estadual Amaro Neto (SD) tem buscado uma aproximação com seu adversário de 2016, na prefeitura de Vitória, Luciano Rezende para uma possibilidade de composição no grupo.
Ele poderia ser um candidato ao Senado neste palanque, que fortaleceria todo o grupo. Além disso, caso vingue a costura com o PSDB, o senador Ricardo Ferraço poderia ser o parceiro de Amaro neste palanque. O grupo também tem uma alternativa, caso Renato Casagrande não dispute o governo, há uma conversa sobre a possibilidade de atração da senadora Rose de Freitas (PMDB) para capitanear o palanque.

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