Vereadores de Anchieta lamentaram a morte do ícone do jongo “mestre Valentim“

Na sessão ordinária desta terça-feira (27), os vereadores lamentaram a morte do mestre do jongo, Valentim Manoel dos Santos, que aconteceu na última segunda-feira (25).

Valentim, um ícone da cultura popular do Brasil, morreu aos 107 anos, de morte natural, na comunidade de São Mateus, interior do município de Anchieta. Ele era a terceira geração de mestres do tradicional e reconhecido Grupo de Jongo Tambores de São Mateus.

“Fomos hoje na despedida do mestre. Uma grande perda que tivemos em nosso município. Um homem que, como disse o Padre Firmino, não tinha a sabedoria de uma educação como em grandes cursos universitários, mas, tinha um conhecimento extremamente sensível a cultura afro descendente, muito mais do que está lá no banco da UFES. O mestre presente na história desse estado e município”, declarou Renato Lorencini

“Toda a sociedade de Anchieta está um pouco triste com a perda de um homem. Um exemplo de cidadão, um homem que enalteceu a cultura em nosso município, e que sempre foi uma referência em sua comunidade. Eu pude constatar isso na semana passada, ao visitar a escola de São Mateus, e ver como os profissionais que ali trabalham incorporam a cultura que envolve aquela comunidade, de uma forma fantástica, no aprendizado daquelas crianças”, afirmou Zé Maria.

Sobre o Mestre

Valentim Manoel dos Santos é de etnia afrodescendente, viúvo – foi casado com Nair Garcia Dos Santos. É filho de Manoel Bino e Vergolina Garcia. Popularmente conhecido como Mestre Valentim, é filho mais velho em uma família de seis irmãos. Aprendeu ainda jovem, com seu avó e seu pai, o oficio de jongueiro. Foi um dos percussores e mantinha uma cultura de seus antepassados que se chama “Grupo de Jongo Tambores de São Mateus”. Uma história que ultrapassa seus 160 anos, passada de geração em geração sendo responsável pela transformação da comunidade. Valentim não exercia mais a função de mestre, mas, através de sua história de vida, passou o oficio para o mestre Renelio Santos Mendes e Fabrício Jose Horácio, que tem a responsabilidade de conduzir o Grupo de jongo “Tambores de São Mateus” e Grupo de Jongo “Tambores Mirins: a história continua” da EMEIEF “São Mateus”.

Em 2010, recebeu o prêmio “Mestre Armojo do Folclore Capixaba” do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado da Cultura, e o prêmio “Mestre da Cultura Popular do Brasil” do Ministério da Cultura – Edição 2009. Também recebeu uma homenagem da Prefeitura Municipal de Anchieta com a entrega de uma Estátua na comunidade de São Mateus, em 2011.

Estátua do Mestre Valentim construída no centro da comunidade de São Mateus, interior do município de Anchieta.

Em 2017, a Câmara Municipal de Anchieta, aprovou a Comenda Mestre Valentim que é  ortogada ao cidadão que presta, ou tenha prestado, relevantes serviços à comunidade negra de Anchieta, promovendo a cultura da igualdade racial, o respeito à diversidade religiosa e o combate ao racismo, preconceito e à discriminação racial.

Valentim foi o primeiro homenageado da Sessão Solene da Consciência Negra, momento em que lhe foi concedida a Comenda que leva seu próprio nome.

Click neste link e conheça mais sobre a etnografia da arte de jogar na comunidade de São Mateus, em Anchieta/ES.

 

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