Aumenta o número de usuários de crack espalhados pela Grande Vitória

Aumenta o número de usuários de crack espalhados pela Grande Vitória

Em cidades pequenas ou nos grandes centros, em municípios subdesenvolvidos ou com economia aquecida… A realidade comum é que nas áreas onde o consumo de crack é rotina o problema está longe de ser resolvido.

Muito mais do que criar um cenário triste nas cidades, o crack acaba com vidas e sonhos, e reforça a dúvida sobre até quando a população vai conviver com as chamadas cracolândias.

Na Grande Vitória, dia após dia elas se multiplicam. Levantamento realizado pelas prefeituras de Vitória, Serra, Vila Velha e Cariacica, mostra que já são cerca de 224 usuários de crack espalhados na região.

Na última sexta-feira, a reportagem esteve na Rua Dukla de Aguiar, na Enseada do Suá, na Capital, às 18h, horário de grande fluxo de carros e pedestres, mas nada disso impedia que um grupo de cerca de 15 pessoas fumasse crack. Acompanhando os usuários estava uma criança de aparentemente 10 anos.

A situação é semelhante na região da Vila Rubim, no Centro de Vitória, na Rua Construtor Vitorino Teixeira. “Sempre foi assim. E só piora”, conta um comerciante.

De acordo com a presidente da associação de moradores do bairro, Elizabeth do Carmo Vieira, os comerciantes trabalham apavorados. “Já está passando da hora de as autoridades competentes tomarem providências”, desabafa.
Na Serra, cerca de 50 pessoas, entre moradores de rua e usuários de drogas, ocupam uma calçada, no bairro Rosário de Fátima. Outro ponto de concentração é no entorno da Praça Encontro das Águas, em Jacaraípe.

Em Vila Velha, o problema ocorre, por exemplo, embaixo da Terceira Ponte, na Praia da Costa, e próximo a um hospital particular, em Divino Espírito Santo. “Da minha casa eu vejo eles usando drogas”, conta um morador da Praia da Costa.
Em Cariacica, as concentrações estão na alça da Segunda Ponte, sentido Vitória; próximo ao viaduto da Ceasa e em Campo Grande, atrás de um supermercado.

Problema
Para o especialista em segurança pública e privada Jorge Aragão, o uso de crack na Grande Vitória já extrapolou todos os limites. “Teremos cracolândias até a hora que os governos municipais, estadual e federal se conscientizarem que isso é uma doença, um problema social, e não um caso de polícia.”

Aragão alerta que é preciso unir as forças para tratar o problema. “Hoje há um jogo de empurra entre os governos. Os três (municipais, estadual e federal) têm que agir em conjunto, cada um na sua esfera, não adianta atuarem de forma isolada. Vemos muito discurso, mas não vemos atuação”, diz.

O especialista pontua que o alastramento dos usuários nas ruas da Grande Vitória se deve à fácil oferta. “E o crack destrói os neurônios e causa dependência rapidamente, sair dele depende muito da força de vontade da pessoa. Temos exércitos de zumbis nas ruas. Enquanto os governos não se unirem o uso de crack tende a crescer.”

Em nota, a Polícia Militar ressaltou que a situação é uma questão de saúde pública e social, por isso apoia e acompanha as ações das prefeituras, que possuem a responsabilidade de planejar políticas públicas para usuários de drogas e moradores em situação de rua.

Fonte: Gazeta Online